Tapioca com polvilho azedo

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Sim, é possível improvisar uma tapioquinha!

Sou nordestina, sim senhor, e amo uma tapioca. Hum… Fresquinha, melhor ainda. Mas moro em São Paulo, e aqui é o polvilho que me salva…

Lá no Nordeste, o nosso café da manhã é tradicional com cuscuz, tapioca (ou beiju) e bolos. Também comemos pão, mas não é o nosso prato matinal principal. Eu tive que aprender a sobreviver em São Paulo sem isso. Nem todo dia vem algum parente meu da terrinha para me trazer carne de sol, farinha de mandioca fresca, queijo manteiga, doces de frutas e outros pratos tradicionais. O jeito é usar a criatividade e, no caso da tapioca, adaptar com os produtos disponíveis por aqui. Um certo dia, descobri que polvilho pode resultar em um bom beiju ou tapioca, que dá para despistar bem o cérebro até a próxima remessa do Nordeste. (rsrs). E não tem nenhum segredo! Vamos lá!

Ingredientes da tapioca com polvilho azedo

– Um pacotinho de polvilho azedo de mandioca
– Uma pitada de sal
– Água
– Recheio a gosto

Modo de preparo

Passo 1: Coloque a massa numa tigela grande e vá molhando aos poucos. Muito cuidado nessa hora, porque, se molhar muito, é arriscado passar do ponto, pois a massa acaba virando algo completamente aquoso, estranho. Então, de preferência, reserve um pouco de massa seca para salvá-lo em casos como estes. Então, misture a massa com a água usando as mãos. Até que ela fique bem umedecida e, ao mesmo tempo, soltinha. É importante lembrar que, se a massa ficar pouco úmida, a tapioca ficará seca.

Passo 2: Quando estiver pronta, peneire a massa numa outra tigela (a sua cozinha vai ficar um pouquinho sujinha). 🙂 Em seguida, aqueça bem uma frigideira em fogo médio e faça uma espécie de panqueca, a espessura deve variar conforme o seu gosto. Eu, particularmente, prefiro uma massa mais fininha. (Não fique apertando o centro da tapioca, apenas molde o círculo, de levinho). Deixe assando de 3 ou 5 minutos e fique atento para não queimar, se for preciso, abaixe o fogo.

Passo 3: Vá colocando os ingredientes que escolheu, pode ser: ovos com queijo; queijo com banana; calabresa frita em fatias fininhas; apenas queijo; queijo com presunto; carne de sol desfiada com queijo; banana com leite moça, etc., etc. Enfim, use a sua criatividade e preferências!

Passo 4: Depois, jogue um pouco de massa, levemente, por cima para que cubra o recheio. Quando a parte de baixo estiver unida, homogênea e meio durinha, vire a tapioca. Vire com muito cuidado para não desmanchá-la. Deixe assar por uns minutinhos do outro lado. Pronto! Eis a sua tapioca prontinha. Se for salgada, você pode regar um pouco de manteiga da terra (manteiga de garrafa) dentro da tapioca. Vai ficar deliciosa.

Duas curiosidades

– Há um período no Nordeste que chamamos de “farinhada”, quando o agricultor fabrica artesanalmente a massa de farinha de mandioca. O processo leva alguns dias, e é um período festivo. Amigos e familiares se reúnem para ajudar o anfitrião nesse preparo e para festejar a fartura. Como resultado, comemos tapioca fresquinha (que parece azedinha), muitas vezes misturada com coco fresco e feita no fogão a lenha. Isso me lembra muito a minha infância. Que delícia… 😉

– No Nordeste, também chamamos farinha de mandioca de goma.

Uma observação

A diferença da tapioca para o beiju é que o beiju é apenas a massa, sem o recheio do Passo 3. Muitos nordestinos preferem comer apenas a massa de beiju no café da manhã, untada com manteiga ou acompanhada de um ovo frito, porque é mais leve.